A abrangência dos vocábulos: História que é a “narração metódica dos acontecimentos ou fatos sociais, políticos, econômicos ou intelectuais, dignos de memória, ocorridos na vida da humanidade, de um povo ou de um Estado” e Trajetória que é o “espaço a percorrer de um lugar a outro, a ação de percorrer esse espaço” marcam e mostram os ideais e as lutas de um grupo de profissionais.

Com as definições dessas duas palavras vamos percorrer os caminhos trilhados pelos Bibliotecários, que trabalharam e trabalham com a documentação jurídica no Rio de Janeiro, desde a criação do Grupo de Bibliotecários em Informação e Documentação Jurídica em 1973.

Diversas instituições públicas e empresas privadas criaram e continuam mantendo grandes bibliotecas que passaram a adquirir acervos especializados para que pudessem responder às necessidades das mesmas, de seus pesquisadores e funcionários e prestar informações cada vez mais precisas aos seus usuários.

Com a especialização das bibliotecas o seu acervo passou a ser visto por diferentes ângulos, conforme a necessidade de cada usuário e o tipo de informação oferecida. Nesse momento começou a brilhar a estrela da documentação jurídica.

A ideia mater da criação das Comissões e dos Grupos Especializados de Trabalho entre os Bibliotecários é originária, em parte, do Classification Research Group da Inglaterra, existente desde 1950. No Brasil, provavelmente o embrião desse movimento foi a criação pelo Conselho Diretor do antigo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) da Comissão Brasileira de Classificação Decimal Universal (CDU), em 8 de março de 1958, através da Resolução nº 70/58 e da Comissão Nacional de Catalogação, em 1960.

Com o crescimento da profissão de Bibliotecário começaram a surgir  movimentos para reunir profissionais que trabalhavam com uma mesma área do conhecimento. Surgiram as Associações de Bibliotecários nos estados e delas as primeiras Comissões e os primeiros Grupos de Trabalho.

Com o aumento do número de Associações e Escolas de Biblioteconomia no país foi sentida a necessidade de se promoverem Congressos visando reunir bibliotecários de todo Brasil. Foi nesta trajetória que a partir da realização do 2º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), realizado em Salvador, Bahia, de 20 a 26 de julho de 1959, foi proposta a criação da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários aprovada e só formalizada no transcurso do 3º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, realizado em Curitiba, Paraná, de 8 a 15 de janeiro de 1961, onde foi empossada a sua primeira Diretoria, tendo à frente, como sua 1ª presidente, a ilustre bibliotecária Laura Garcia Moreno Russo e com sede na cidade de São Paulo.

Hoje a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), cuja sede é na cidade de São Paulo, desde a criação, é filiada à International Federation of Library Association and Institutions (IFLA), congregando 24 (vinte e quatro) associações no País.

As primeiras Comissões e Grupos de Bibliotecários surgiram no âmbito das Associações. Na Associação Baiana de Bibliotecários (ABB), fundada em 1952, foram criadas as Comissões de Bibliotecários de Bibliotecas Infantis e de Bibliotecas Universitárias em 1960. Em São Paulo, na Associação Paulista de Bibliotecários (APB), foi criado o Grupo de Bibliotecários Biomédicos em 1963.

Por ocasião do 6º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, de 4 a 10 de julho de 1971, criaram-se novas Comissões Permanentes Especializadas, consoante o artigo 30 do Estatuto da FEBAB e o item 14 de suas Recomendações: “que as Associações de Bibliotecários criem Grupos de Trabalho de Bibliotecários que exerçam a profissão em campos afins, tais como Tecnologia, Medicina, Documentação Jurídica”. Os antecedentes descritivos foram de grande importância à medida que a Biblioteconomia vinha se firmando como estudo e pesquisa nas percepções dos Bibliotecários que aumentavam seus conhecimentos para prestarem melhores serviços bibliotecários à sociedade.

Dentre essas Comissões, foi criada a Comissão Brasileira de Documentação Jurídica (CBDJ), em 7 de julho de 1971, no âmbito do 6º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação e que teve como primeiro objetivo incentivar a criação e manutenção de Grupos de Trabalho em Documentação Jurídica (GTDJ), ligados às Associações Estaduais filiadas à FEBAB, que, nessa época, contava com 14 (quatorze) Associações.

As dificuldades apresentadas para obter informações mais minuciosas estavam no fato de que até o 6º CBBD, os anais não eram publicados, deles existindo publicações avulsas, folhetos de resumos e/ou programas.

Na década de 1970, a Biblioteconomia Brasileira tomou novos rumos e teve grandes avanços tecnológicos, principalmente, com a implantação dos Cursos de Mestrado e Pós-graduação na área da Ciência da Informação. Não tardou a mudança do nome do grupo para Grupo de Bibliotecários em Informação e Documentação Jurídica (GIDJ), conforme decisão do Conselho Diretor da FEBAB, que se reuniu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, durante o 9º CBBD, realizado de 3 a 8 de julho de 1977, naquela cidade.

A partir de 1970, os bibliotecários da área de documentação jurídica passaram a ocupar espaços no gerenciamento de sua documentação, adotando a modernização dos processos técnicos das Bibliotecas e Centros de Documentação, apresentando inúmeros estudos e pesquisas nos Encontros, Simpósios, Seminários, Congressos, culminando com a aplicação das técnicas de informática, telemática, notadamente, com a criação do Centro de Processamento de Dados do Senado Federal (PRODASEN), 1972.

A complexidade e a diversidade de tipos de apresentação das informações na área da documentação jurídica mostraram aos bibliotecários que trabalhavam com esse tipo de informação a grande necessidade que tinham de trocar experiências com outros profissionais que faziam o mesmo tipo de trabalho.

Os objetivos dos Grupos de Bibliotecários em Informação e Documentação Jurídica (GIDJ) sempre estiveram relacionados com a área de atuação profissional nas Bibliotecas, Centros de Documentação ou Informação Jurídica. Esses grupos foram constituídos e regidos por um regimento interno, com atividades sem fins lucrativos e funcionando de fato sob a égide da FEBAB, Associação e Comissão Brasileira de Documentação, assistindo aos estudiosos e pesquisadores, publicando guias, catálogos de periódicos, bibliografias e outros trabalhos técnicos de seus membros e no interesse social dos seus usuários.

O Grupo de Trabalho em Documentação Jurídica (GTDJ), do Rio de Janeiro, foi criado em 5 de julho de 1973, no então Estado da Guanabara, ligado à Associação Profissional dos Bibliotecários do Estado da Guanabara (APBEG) e passou a funcionar e fazer suas reuniões mensais, provisoriamente, no porão da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Esse GTDJ teve a sua primeira Coordenadoria constituída e eleita por aclamação, tendo a frente a bibliotecária Francisca Ribeiro de Salgueiro Felisberto de Souza, Chefe do Setor de Documentação do Serviço Jurídico da PETROBRÁS.

O trabalho do Grupo de Bibliotecários em Informação e Documentação Jurídica (GIDJ) tem sido basilar desde 1973, na consolidação de seus ideais, prestando relevantes serviços aos usuários da informação jurídica nos seus 41 anos de existência.

O GIDJ é constituído de Bibliotecários que se reúnem para incentivar os profissionais da área de documentação jurídica ao intercâmbio de experiências; promover o entrosamento e a comunicação de seus membros através de programas de trabalho; incrementar a elaboração de projetos em cooperação, apoio e promoção da informação jurídica no Rio de Janeiro.

A troca de experiências entre os bibliotecários que trabalhavam com todos os tipos de documentação jurídica fez, durante todos esses anos, com que houvesse um melhor e maior aproveitamento das informações levantadas por cada biblioteca ou centro de documentação da área jurídica.

A participação dos elementos do GIDJ/RJ em Encontros, Seminários e Congressos apresentando trabalhos ou oferecendo soluções para problemas comuns deram credibilidade à sua produção atual. Empresas ligadas ou produtoras de informação na área jurídica passaram a se filiar ao GIDJ/RJ e a apoiá-lo, para divulgação de seus produtos entre nossos profissionais.

O GIDJ/RJ passou a ser uma sociedade civil de natureza técnico científica, sem fins lucrativos, com sede na cidade do Rio de Janeiro, cuja finalidade é congregar Bibliotecários, Documentalistas, Arquivistas, Advogados e outros profissionais que militem ou tenham interesse na área de informação e documentação jurídica no Estado do Rio de Janeiro.

Nesses 41 anos de existência do Grupo de Profissionais em Informação e Documentação Jurídica do Rio de Janeiro, muitos bibliotecários se aposentaram, muitos mudaram de área de atuação, outros foram colocados na área da documentação jurídica sem nenhuma experiência na mesma, recorrendo ao GIDJ/RJ na busca de informações e conhecimentos, sempre obtendo a atenção solicitada. O Grupo de Profissionais em Informação e Documentação Jurídica do Rio de Janeiro continua a trilhar a missão de colaborar com os gestores que abraçam o segmento jurídico informacional na atualidade, em face aos desafios e metas que seguirão o século XXI.